Alagoano e ex-diretor da ANP diz que petróleo será maior força econômica de Sergipe. E em Alagoas?

Publicado em 10 de Novembro de 2017

Ele nasceu em Arapiraca, formou-se em Engenharia Química pela Universidade Federal de Pernambuco e ocupou o cargo de diretor de exploração e produção de petróleo da Agência Nacional de Petróleo (ANP) entre junho de 2011 a junho de 2015.  

Florival Carvalho, que veio a Maceió essa semana como um dos palestrantes do 9º Congresso de P&D em Petróleo e Gás, que trouxe a Alagoas especialistas de todo o país para debater temas como futuro do pré-sal até sábado (11), falou com a AGENDA A sobre porque as descobertas recentes na Bacia Sergipe-Alagoas, ao menos por enquanto, deve beneficiar economicamente apenas o Estado vizinho.

AGENDA A: O anúncio da descoberta nos últimos anos de grandes reservas de petróleo na chamada Bacia Sergipe-Alagoas, em águas oceânicas a 80 quilômetros de Aracaju, reacendeu a esperança dos alagoanos de que Alagoas também possa conter alguma reserva marítima importante. Há motivos para esperança?   

Por enquanto, não. Claro que, no futuro, pode-se vir a descobrir reservas importantes no Estado, mas, ao menos no momento atual das pesquisas e estudos geológicos, não há indicativos sólidos da existência dessas reservas. Infelizmente, geologicamente falando, o fato de que uma reserva marítima importante ser descoberta em águas oceânicas próximas de Aracaju não indica automaticamente que Alagoas tem as mesmas reservas.

Há quem diga que foram realizadas poucas pesquisas e prospecções em águas marítimas alagoanas em comparação a outros Estados...

Não acredito nisso. Claro que, como falei, pode-se vir a descobrir no futuro uma reserva importante e com boa viabilidade econômica em Alagoas. Assim como também pode-se descobrir grandes reservas em outros Estados. Note que, em Pernambuco, há décadas geólogos e pesquisadores buscam encontrar grandes reservas de petróleo que, até o momento, não foram encontradas. Nem em Pernambuco e nem na Paraíba, voltando a aparecer grandes reservas na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. Não se trata de uma decisão política. Trata-se de um conjunto de fatores incluem desde a formação geológica ao estado atual da tecnologia de pesquisa. Até porque, é claro que há, sim, petróleo na costa do Nordeste, mas estamos falando da descoberta de grandes reservas com viabilidade econômica.

Nos próximos anos, então, o petróleo em Alagoas não deve ter um papel preponderante em nossa economia?

Ao menos num prazo de dez anos, não acredito. As reservas terrestres exploradas no Estado são chamadas reservas maduras (que já foram desnamente exploradas) e, mantida essa tendência, a participação do petróleo na economia não deve ser elevada.

Já na economia sergipana...

Após a confirmação recente pela Petrobras do potencial de reservas como a da área de Moita Bonita, a 82 quilômetros quase em linha reta do litoral de Aracaju, acredito que num prazo de seis anos o petróleo deve se tornar a maior força econômica de Sergipe. Enfim, são reservas importantes mesmo no momento em que todo o país está focado no gigantismo do pré-sal.  



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