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Expedição científica revela o que mudou na vida aquática do Rio São Francisco

Publicado em 05 de Agosto de 2019

O caudaloso e piscoso Rio São Francisco retratado na paisagem acima de 1639 do pintor holandês Frans Post, em frente ao rochedo que deu nome à cidade de Penedo, já não existe.

Um relatório apresentado esta semana fruto da I Expedição Científica do Baixo do São Francisco, realizado em outubro de 2018 (em um trecho de 140 quilômetros do Rio entre Piaçabuçu e Traipu), revela como a poluição (não apenas do esgoto das cidades ribeirinhas, como de agrotóxicos), o desmatamento e o avanço da água salgada até 16 quilômetros a partir da foz estão mudando a vida aquática do Velho Chico.

De acordo com Emerson Soares, professor do Centro de Ciências Agrárias (Ceca) Ufal que coordenou a expedição que incluiu mais de 30 pesquisadores e apoio de instituições como a Fapeal, as pesquisas realizadas durante a expedição mostram, por exemplo, uma drástica redução na população de espécies que eram emblemáticas na região.

“Além de espécies consideradas extintas como o Pirá, outras como o curimatã-pacú, por exemplo, que representava mais de 40% da pesca na região até algumas décadas atrás, já não chega a 10%”, diz Emerson Soares. “O agravamento do problema da salinização devido à reduzida vazão do Rio, o desmatamento nas margens, o dejetos de esgoto das cidades sem saneamento e a contaminação da água por agrotóxicos sem manejo adequado mudam completamente o ambiente aquático do Rio e afeta a sobrevivência e reprodução de diversas espécies”.

O relatório da expedição, que contou com mais de 30 pesquisadores, traz também análises de mostras de sedimentos, presença de metais pesados, coliformes fecais e até da saúde de algumas comunidades ribeirinhas afetadas pela mudança no Rio.

“Precisamos estruturar agora uma rede de monitoramento constante para que esses dados pontuais possam ser avaliados e comparados dentro de uma série histórica”, diz Emerson Soares, doutor em Biotecnologia. “E não apenas do Rio São Francisco, como de outros rios e lagoas. É inadmissível que um Estado com o nome Alagoas não monitore regularmente seus recursos aquáticos”.

Confira relatório “1ª. Expedição Científica do Baixo São Francisco: Resgate Histórico e Radiografia Atual do Velho Chico” aqui.


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