Alagoas, Domingo, 31 de Maio de 2020
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A matemática do coronavírus: pesquisadores simulam os melhores e piores cenários de mortes em AL

Publicado em 31 de Março de 2020

Mantido o atual ritmo de propagação do coronavírus em Alagoas (com base na taxa de velocidade entre o dia 20 e 30 de março), o Estado poderá ter cerca de 10 mil mortes ao fim da pandemia.

Essa é uma das projeções realizadas em Alagoas por um grupo multidisciplinar de pesquisadores do Instituto de Física, do Instituto de Matemática e do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas.

Entre os pesquisadores – que até agora não foram ouvidos devidamente pelos comitês de governos estaduais e municipais ou entidades empresariais – estão nomes como o do físico Francisco Moura (foto abaixo com o aluno Ismael Damião), doutor em Física com experiência em Física Estatística, e do matemático Krerley Oliveira (foto acima), que fez parte da equipe vencedora do prêmio Gran Prix Scientifique Louis D., maior reconhecimento científico da França, em 2016.

“Com base no cenário atual e usando indicadores de forma mais cautelosa do que os usados em outros países, esse cenário de 10 mil mortos em Alagoas é até conservador”, diz o físico Francisco Moura. “Mas essas projeções, claro, podem variar em poucos dias de acordo com mudanças na taxa de velocidade da propagação do vírus”.

Mudar para melhor... ou pior.

Numa das projeções mais otimistas, em que os pesquisadores incluem, além do distanciamento social, medidas mais efetivas de isolamento social dos infectados com base em testes massivos dos suspeitos, a projeção de mortes baixa para 2000 pessoas no Estado.

Na estimativa pessimista, com relaxamento das medidas de distanciamento social, poucos testes e a não construção de centenas de leitos de CTIS e UTIs, esse número de mortos pode passar de 30 mil.

De acordo o matemático Krerley Oliveira, os modelos da epidemiologia usados nessas projeções são clássicos e de fácil implementação (ao menos para os matemáticos já familiarizados com as chamadas equações diferenciais ordinárias). “Quando aplicamos esses modelos ao cenário alagoano, esses números são assustadores”, diz Krerley. “Precisamos aprofundar esses modelos urgentemente levando em conta aspectos da estrutura social de Alagoas, o perfil das aglomerações urbanas como as grotas, tipo de contato que as pessoas têm em seu cotidiano, mobilidade, bem como da reação das pessoas frente à pandemia, que limita as infecções”.

Resta esperar que as lideranças políticas empresariais de Alagoas e do Brasil passem a tomar decisões levando em conta também as projeções de especialistas em áreas como Ciência de Dados, Ciência das Redes – e da Matemática, claro, a base de todos esses modelos.

Ao menos um passo já foi dado nesta segunda quando o Consórcio Nordeste, que une os governadores da região, criou oficialmente um comitê científico para ajudar a enfrentar a pandemia com nomes como o do cientista Miguel Nicolelis e o do físico e ex-ministro de Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende.


 

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