Alagoas, Quinta, 28 de Maio de 2020
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Legado cultural de Ricardo Brennand, que morreu no sábado, deveria inspirar empresários alagoanos

Publicado em 26 de Abril de 2020

Por Rodrigo Cavalcante

Há milionários que se orgulham de colecionar automóveis esportivos.

Outros, preferem iates de luxo.

Ricardo Brennand, empresário pernambucano que faleceu neste sábado, aos 92 anos, em Recife, vítima de complicações decorrentes do covid-19, colecionava obras de arte.

E não colecionava apenas para seu deleite pessoal.

Seu acervo de pinturas e armas brancas integram o acervo do Instituto Ricardo Brennand, misto de galeria-castelo-museu erguido ao lado da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife.

Entre as joias do acervo está, por exemplo, a maior coleção privada de quadros de Frans Post (1612-1680), pintor paisagista holandês que veio na comitiva de Maurício de Nassau e retratou com precisão os núcleos coloniais do Brasil invadidos pelos holandeses.

Graças a Frans Post, podemos enxergar, por exemplo, como era a povoação de Penedo no tempo da invasão holandesa (veja quadro abaixo, no Museu do Louvre) – privilégio que, por exemplo, as primeiras povoações dos Estados Unidos não tiveram.

Mesmo distante do Centro de Recife (o instituto é vizinho da cidade universitária), o instituto se tornou uma das mais importantes atrações culturais da capital pernambucana, sendo inclusive apontado por turistas como um dos melhores museus da América Latina em sites como TripAdvisor.

Ricardo, assim como o primo, o artista plástico Francisco Brennand, que faleceu ano passado (e concedeu a AGENDA A uma de suas últimas entrevistas, leia aqui), tem como antepassado o inglês Edward Brennand, que saiu de Liverpool e veio morar em Alagoas em 1835, onde se casou com a viúva Maria Francisca Monteiro, da cidade de Viçosa.

Os descendentes da família Brennand terminaram, contudo, se mudando para Recife no início do século passado, onde prosperaram como empresários de indústrias de aço, cimento, vidro e açúcar.

Cada um dos primos Brennand, ao seu modo, deixou legados culturais em Pernambuco que durarão muito além dos negócios da família.

Entram para o raro grupo de empresários brasileiros que investiram num legado cultural significativo – ao lado de nomes como o bibliófilo José Mindlin (que deixou uma coleção de mais de 40 mil livros em Biblioteca na USP), a coleção Brasiliana deixada pelo banqueiro Olavo Setúbal, do Itaú, ou o Instituto Moreira Salles, dos fundadores do Unibanco. 

Mais raro ainda em Alagoas, onde boa parte dos acervos culturais foi legado não por empresários, mas por artistas (como Pierre Chalita), médicos (como Théo Brandão, em Maceió, e Francisco Alberto Sales, em Penedo), ou pela estudiosa de arte e colecionadora Tania de Maya Pedrosa.

Com exceção de uma ou outra iniciativa pontual (como a reunião do acervo de peças do artista popular Manoel da Marinheira pelo usineiro Jorge Tenório, em Boca da Mata), não há em Alagoas um grande museu ou instituto cultural legado por um grande nome do empresariado local.

Que a memória dos Brennand possa servir de inspiração.


 

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