Diretor do BNDES explica como leilão de saneamento em Alagoas pode se tornar referência no setor

Publicado em 06 de Jul de 2020

No próximo dia 30 setembro, na Bolsa de Valores de São Paulo, B3, a equipe econômica do governo federal e o mercado de infraestrutura brasileiro estarão de olho no leilão de concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Região Metropolitana de Maceió -- que atenderá 1,5 milhão de habitantes, quase a metade da população de Alagoas (estimada em 3,3 milhões) que moram na capital e mais 10 cidades próximas de Maceió. 

Desenvolvido pelo Governo de Alagoas em parceria com o BNDES, o Estado decidiu manter a data, mesmo em tempos de pandemia e recessão econômica.

Será que esse é o melhor momento para atrair investidores para um projeto desse porte?

“O mercado investidor está interessado, nós podemos perceber isso nas interações que estamos tendo com o mercado” disse a AGENDA A o engenheiro Fábio Abrahão, diretor de Infraestrutura, Concessões e PPPs do BNDES. “Até porque o investidor de infraestrutura está habituado a lidar com períodos de crise e os projetos são de longo prazo, com duração de 25, 30, 35 anos”.

Abaixo, Abrahão falou a AGENDA A sobre como o leilão em Alagoas pode ser uma referência em projetos de saneamento no Norte-Nordeste do país. 

AGENDA A: Por que o BNDES acredita que o projeto de concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Região Metropolitana de Maceió pode servir de referência para os demais estados?

Fábio Abrahão: O projeto de Alagoas tem uma característica muito interessante que vale destacar, algo que nós enxergamos como uma inovação e que também está presente no modelo do Rio de Janeiro: uma concessão com a permanência da atuação da companhia estatal (Casal) na parte de captação e tratamento de água.  Além disso, o projeto de Alagoas é importante como referência da viabilidade de projetos desse porte no Nordeste do país que, assim como a região Norte, são prioritárias para o BNDES quando falamos em saneamento. E o mercado investidor está interessado, nós podemos perceber isso nas interações que estamos tendo com o mercado.

Ainda que haja interesse do mercado, você considera acertada a decisão do governo de Alagoas de manter o calendário do leilão para setembro deste ano em um momento de retração econômica?

O investidor de infraestrutura está habituado a lidar com períodos de crise, os projetos são de longo prazo, com duração de 25, 30, 35 anos. É esperado que haja momentos de crise e o retorno para o investidor vem no longo prazo. Além disso, quanto à parte de financiamento do projeto, a expectativa é de que o mercado de crédito terá interesse nessa demanda por financiamento. Prioritariamente, a ideia é trabalhar em parceria com o setor privado e outros bancos de desenvolvimento, a própria entrada do BNDES em parte do risco pode funcionar de modo a atrair outros agentes para o projeto. Se, porventura essa atração não acontecer, o Estado de Alagoas pode contar com o apoio do BNDES do ponto de vista do crédito.

Ou seja, o BNDES atuará não apenas para estimular a atração de investimentos privados, como garantirá financiamento?

O BNDES trabalha com o conceito de “one stop shop” (usado  para identificar organizações que integram a prestação de uma série de serviços num mesmo local). Primeiro, nós cuidamos para que a originação seja muito bem feita, de modo que os objetivos das políticas públicas sejam atingidos e, ao mesmo tempo, que os projetos tenham características que permitam viabilidade do ponto de vista do investidor. Em seguida, é feita a estruturação propriamente dita, com o apoio de consultores especializados, caminhando até a fase da ida a mercado, com o leilão do projeto. O BNDES permanece atuando no pós-leilão, dando suporte ao cliente, neste caso o Estado de Alagoas, caso haja qualquer judicialização. Por fim, o BNDES pode prover o financiamento. Essa é a atuação do Banco, vai da originação até o pós-leilão e, caso necessário, até a concessão de crédito. Por isso “one stop shop”.  Na parte de atração de investidores, temos conversado com dezenas de investidores de infraestrutura, nacionais e internacionais, estratégicos e financeiros, a respeito dos projetos em estruturação no BNDES. Essa é uma agenda em que estamos atuando forte, com equipe dedicada, para fazer essa ligação entre o projeto e o mercado investidor. Para isso, estamos trabalhando na montagem de uma nova plataforma digital com esse foco, especialmente para investidores internacionais, englobando não só saneamento, mas vários outros setores em que o BNDES atua na estruturação de projetos, como portos e rodovias. A expectativa é lançar nos próximos meses, provendo informação qualificadas sobre os projetos e sobre o ambiente de investimentos no Brasil, bem como interatividade BNDES-investidor e investidor-investidor.


 



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