Alagoas, Quinta, 28 de Maio de 2020
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Rede de voluntários em Alagoas imprime videolaringoscópios para facilitar entubação de pacientes

Publicado em 30 de Abril de 2020

Se a pandemia evolui em Alagoas em progressão geométrica, as redes de solidariedade também.

Nesta quinta (30), a rede privada de voluntários 3D Saves, formada por empreendedores e profissionais liberais de Alagoas donos de impressoras 3D, não apenas expandiu a produção de máscaras faceshields para profissionais de saúde, como testou o primeiro protótipo de uma versão simplificada de um videolaringoscópio -- equipamento essencial para facilitar a entubação de pacientes que não é encontrada facilmente nos hospitais da rede pública do Estado.

“O videolaringoscópio não apenas reduz riscos na entubação por facilitar a visualização e agilizar o procedimento, como garante muito mais segurança ao médico que não precisa realizar o procedimento próximo da boca do paciente infectado”, diz a médica Wanessa dos Anjos Bohrer, do Hospital Universitário, que sugeriu ao grupo a impressão do equipamento. “Apesar desse modelo impresso em 3D ser uma versão simplificada, os testes mostram que eles podem ser essenciais aos médicos que não contam com o equipamento em hospitais da rede pública”.

Segundo o voluntário Adeilton Santos, diretor-executivo da Convén Honda que produziu em casa, na sua impressora 3D, o protótipo testado hoje (veja vídeo abaixo), foi necessária apenas algumas horas entre a sugestão da médica e a primeira versão impressa. “Seguindo a cultura do software livre, baixamos o arquivo e imprimimos as hastes na impressora 3D em que é inserido o cabo com a câmara que pode ser acoplada no USB do celular do profissional de saúde”, diz Adeilton. “Após ajustes solicitados pelos profissionais da saúde, compartilhamos de volta nossa versão para retroalimentar outras comunidades”, diz Adeilton.

Resultado: a equipe conseguiu produzir em poucas horas com custo médio de R$ 50 a versão simplificada de um equipamento que originalmente sai por cerca de R$ 20 mil.

De acordo com o líder do grupo 3D Saves, Eduardo Setton, professor da Ufal e ex-secretário da Ciência e Tecnologia do Estado, a rede de voluntários foi formada exatamente para garantir maior agilidade na produção de equipamentos ao integrar um grupo de empreendedores com experiência no setor privado. “Graças à iniciativa desses empreendedores e de parcerias com empresas apoiadoras, podemos não apenas testar rapidamente a versão do videolaringoscópio, como expandir nossa produção de máscaras faceshields para os profissionais de saúde”, diz Setton.

Após o grupo entregar semana passada 80 máscaras a hospitais da rede pública de Alagoas, a meta, segundo o líder do coletivo, é produzir mais de 3 mil até o final da próxima semana. “É que, além da produção das impressoras 3D, fechamos parcerias com empresas para a aquisição de milhares de hastes que multiplicarão nossa capacidade de produção”, diz Setton.

Uma meta, sem dúvida, ousada, mas necessária em meio à rápida expansão de casos em Alagoas.


 

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