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“Marcas não entram em quarentena”: agências de AL falam de comunicação em tempos de coronavírus

Publicado em 08 de Abril de 2020

As marcas, diferentemente das pessoas, que devem entrar em quarentena nesse momento, não podem ficar em reclusão – sob o risco de não sobreviverem após a crise do coronavírus.

A questão é: como ajustar o tom da comunicação da empresa em tempos de comoção e extrema sensibilidade?

“Momentos de crise como esse são decisivos para as marcas mostrarem que estão ativas, engajadas e em sintonia para atender as necessidades dos seus clientes no momento em que eles mais precisam”, diz Hermann Fernandes, sócio da Chama Publicidade e diretor em Alagoas da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP-AL). “O desafio, contudo, é fazer com que esse engajamento seja natural, orgânico, e não uma ação que pode ser encarada como oportunista pelo consumidor num período em que ele está mais sensível”.

Para isso, de acordo com o presidente da ABAP-AL, uma das medidas mais importantes que as empresas devem tomar nesse momento é dar atenção aos seus colaboradores, demonstrando real preocupação com a equipe. “Como eles também podem estar fragilizados, é hora de contar com um bom trabalho de comunicação interna, o chamado endomarketing, para gerar confiança no time que vai lidar diretamente com os clientes”, diz Hermann. Entre seus clientes, ele cita a marca Casa Vieira como um caso positivo de uma empresa que soube engajar a equipe para acelerar seu processo de vendas via ferramentas como o Whatsapp. “Com esse engajamento, a empresa lançou rapidamente um novo catálogo focado nos gêneros mais procurados no momento, como alimentos, materiais de limpeza e higiene e produtos da Páscoa”, diz Hermann. “E seus colaboradores estão diretamente engajados nessas ações, inclusive nas redes sociais”.

De acordo com Luciano Quirino, da agência Artecetera, esse é um momento importante não apenas para consolidar a marca, como até mesmo para conquistar novos clientes. “Desde que o tom da campanha se ajuste ao momento, essa é uma oportunidade importante para expandir as vendas e conquistar novos clientes por outros canais”, diz Luciano. Como exemplo, ele cita as ações da rede de calçados Sapato´s (que intensificou o sistema de vendas por canais como Whatsapp e dá dicas de saúde e de cuidados com os pés na quarentena) e da Cooperativa Pindorama (que, em conjunto com usinas do Estado, doou 9000 litros de álcool 70% para os hospitais da rede pública). “São ações que tanto promovem vendas como mostram empatia com os consumidores nesse momento”, diz Luciano.

Para a publicitária Carina Oiticica, sócia da agência de marketing digital Yellow Kite, mesmo quem está sem condições de vender nessa fase não deveria paralisar a comunicação com seu público. “Esse é o momento de pensar no coletivo, de liderar movimentos e de se engajar em causas. Bons exemplos são a união do setor de turismo, de produção cultural e dos pequenos restaurantes, que tentam sensibilizar o público para que remarquem os pacotes, não peçam reembolso e consumam dos negócios locais”, afirma.

E como avaliar as ações de empresários que se posicionam nas redes sociais em defesa, por exemplo, do fim da quarentena horizontal?

“Além de pessoa física, com o direito de expressar qualquer opinião, um empresário precisa lembrar que também representa uma empresa, uma pessoa jurídica”, diz Ramatis Haywanon, diretor da Six Propaganda. “Aqueles que se precipitaram nas redes sociais contra a quarentena, por exemplo, terminaram por causar danos à marca que representam”. De acordo com Ramatis, qualquer posição nesse momento que transmita uma preocupação autocentrada é fatal para a marca. “Como o vírus atinge a todos, esse é o momento das marcas mostrarem que se preocupam com todo o ecossistema de negócios”, diz Ramatis. Como exemplo, ele cita campanhas como a da rede Outback, que doou parte de seu estoque de ovos de Páscoa para pequenos comerciantes locais.

Algumas agências locais, como a Duck Comunicação, criaram até uma campanha para fortalecer os pequenos negócios de Alagoas. Chamada de “EmpurraozinhoDUCK”, a agência decidiu oferecer criação de material para redes sociais e impulsionamento gratuito para pequenos negócios alagoanos. “Foi a forma que encontramos para colaborar com pequenos negócios sem recursos para divulgar suas marcas”, diz Rodrigo Perdigão, sócio diretor da agência. De acordo com Digão, como é mais conhecido, esse é um daqueles momentos históricos com poder de mudar não apenas hábitos de consumo, como de comportamento. “Nós mesmos, que implantamos o home office antes mesmo da maioria das empresas, descobrimos que a mudança deixou o time mais produtivo e criativo e vamos ter que repensar como será a dinâmica de trabalho quando essa fase acabar”, diz Digão.


 

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