Em Maceió, Margareth Menezes fala dos 35 anos do Axé e dos “novos baianos” que estão mudando a música brasileira

Publicado em 15 de Fevereiro de 2020

Em 1987, quando uma jovem de voz grave de 23 anos foi convidada por Djalma Oliveira a cantar Faraó, o primeiro samba-reggae gravado no Brasil, nem Osíris (com o perdão do trocadilho) imaginaria como a música projetaria a carreira de Margareth Menezes no Brasil e internacionalmente – convidada por músicos como o norte-americano David Byrne para abrir seus shows pelo mundo.

Mais de 30 anos depois, a voz mais potente do afro pop brasileiro volta a Maceió para cantar clássicos e novos sucessos neste sábado (14), no Camarote Palato.

Na véspera das prévias de Maceió, ela falou a AGENDA A sobre os mais de 35 anos do Axé Music, dos velhos e novos baianos que estão renovando a música no país e do que pretende cantar neste sábado em Maceió.  

O Axé Music completou 35 anos ano passado e você não apenas fez parte dessa história desde o início, como projetou o samba reggae no Brasil e no mundo. Quais são os novos ritmos que hoje mais lhe chamam atenção na Bahia?

A Bahia não tem apenas uma forte tradição musical, desde Dorival Caymmi, como tem também uma inquietação que, de alguma maneira, está sempre se renovando. Tanto é assim que o rótulo do Axé Music, por exemplo, não define um gênero musical, mas um conjunto de artistas e ritmos, incluindo o samba reggae, que despertaram a atenção de artistas como David Byrne, Paul Simon e astros como Michael Jackson. Eles vieram atrás da musicalidade que acontecia naquele momento através dos blocos afro que pegavam o tambor e entoavam um grito de liberdade, um comportamento moderno e contemporâneo. Essa inquietação e modernidade é hoje bem representada por uma nova geração de artistas talentosos como o BaianaSystem, que mesclam o computador com a guitarra baiana, como nomes como Larissa Luz, Luedji Luna, Ju Moraes, Marcia Castro e outros não apenas da Bahia, como de todo o Nordeste, como Duda Beat e Romero Ferro, no Recife, enfim, tem uma turma muito boa e a renovação sempre vem.    

E como você define musicalmente essa nova geração?

Como disse, não se trata de um gênero musical único, mas de uma produção diversa e plural. Da minha parte, continuo achando que a melhor definição para o que fazemos é o afropop.

Como se prepara para manter a forma e a voz à frente de mais de 30 anos de carnavais?

Como profissional, sei que preciso estar bem. Bem alimentada, bem preparada com fonoaudióloga, otorrinolaringologista, enfim, não estou lá como foliã de uma festa, mas como uma artista que precisa de energia para prestar um serviço que envolve ensaios com a banda, direção musical, preparação técnica. Enfim, do trio elétrico em cima de um Ford antigo criado há 70 anos por Dodô e Osmar, à tecnologia e qualidade de som dos novos trios, houve não apenas um salto tecnológico como também uma exigência de profissionalização que, não à toa, fez o Carnaval de Salvador ser estudado por organizadores de grandes festas e eventos no mundo, como as Olimpíadas. Quando Carlinhos Brown sobe ao palco, não se trata apenas de uma batucada, mas de uma série de claves e ritmos bem estruturados e desenvolvidos por grandes nomes como Neguinho do Samba (Antônio Luiz Alves de Souza, considerado o pai do samba reggae, que faleceu em 2009), enfim, há toda uma tradição musical que se espalhou pelo Brasil e pelo mundo com as batidas de grupos como Olodum. Mas o que continua me motivando e me dá prazer é o canto, essa conexão com a música, com o novo repertório.

E neste sábado, nas prévias do Carnaval em Maceió, como você montou o repertório entre clássicos e novos?

Diferentemente de um show autoral, o repertório de Carnaval é mais eclético. Sim, inclui músicas marcantes do início da carreira e do samba reggae como “Faraó”, “Elegibô”, mas também tem momentos de outros ritmos, de frevo e até de clássicos de Caetano como “Atrás do Trio Elétrico”. É um repertório diverso. E confesso que estou muito feliz de voltar a Maceió nos 9 anos do Camarote Palato. Afinal, faz alguns anos que não me apresentava em Maceió, mas guardo grandes lembranças de shows que fiz aqui.



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