Sandália “Maragogi”: designer brasiliense de sapatos escolhe Alagoas como cenário de nova coleção

Publicado em 28 de Outubro de 2020

Foi num dia cinza e frio em julho passado, confinada em plena pandemia em seu apartamento no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo, que a designer de sapatos Natalia Miti, fundadora da marca Miti Shoes, começou a visualizar o litoral de Alagoas como cenário ideal para lançar (e fotografar) sua nova coleção de calçados para esse verão.

“Já era fã das praias de Alagoas desde os 17 anos, quando vim pela primeira vez como turista a Maceió e Maragogi, e logo percebi que os cenários daqui seriam ideais para traduzir essa sensação de leveza e liberdade da nossa coleção”, diz a designer, que alugou uma casa na Praia do Patacho, em Porto de Pedras, para fazer os cliques da nova coleção.

De passagem em Maceió, a designer falou com AGENDA A sobre a inspiração da coleção (que inclui até uma sandália com o nome Maragogi), sobre as mudanças no varejo online de calçados durante e no pós-pandemia -- e até de como enxerga o potencial turístico do nosso litoral. 

AGENDA A: Você nasceu em Campinas, mudou-se criança para Brasília, cursou Design em Belo Horizonte e hoje vive em São Paulo. Por que escolheu Alagoas como cenário de sua nova coleção?   

Conheço o litoral alagoano desde os 17 anos, quando vim pela primeira vez a Maceió e Maragogi e, claro, fiquei encantada com as praias que considero as mais lindas do país. E, nesse ano de confinamento e pandemia, pensei que o visual e a energia do litoral alagoano eram perfeitos para apresentar nossa coleção. Até porque, como esse final de ano não será de grandes festas com aglomerações, mas da busca de praias com espaços abertos para conviver com a família e acredito que as praias de Alagoas traduzem perfeitamente essa sensação de leveza e liberdade que a coleção quer transmitir aos nossos clientes. 

Em vez de catálogos com fotos de modelo em festas glamourosas, a sua marca aposta em fotos dos calçados sendo usadas por mulheres em situações reais, como no escritório ou dentro de casa. Vocês seguiram esse conceito aqui nas fotos dessa coleção?

Sim, mesmo fazendo as fotos nesse cenário de praia, alugamos uma casa na Praia do Patacho, em Porto de Pedras, exatamente para fazer as fotos intimistas dentro de uma casa de praia. Após esse período de pandemia, sabemos que, ao menos quem puder, buscará passar o verão em regiões de praia como essas, em locais mais aconchegantes, com menos aglomeração de pessoas, para conviver com a família e amigos próximos. E o cenário de uma casa de Praia no Patacho segue bem esse conceito.

 Antes mesmo da pandemia, sua marca já era conhecida pelo serviço “Miti em casa”, que permite às mulheres receber uma mala com 12 pares de calçados para experimentar em casa antes escolher os modelos que querem. Esse modelo de vendas vai se expandir no pós-pandemia?

 Sim, apesar de vendermos online para todo o Brasil, conseguimos fazer com que o serviço “Miti em Casa”, inicialmente oferecido apenas em Brasília por exigir uma logísitica especial de entrega e retirada dos modelos, passasse também a ser oferecido em São Paulo. Esse modelo de relação com o cliente tem sido, sim, bem sucedido há algum tempo em nossa trajetória, mas é preciso lembrar que, durante a pandemia, as pessoas saíram menos e, como resultado, houve uma queda de vendas de calçados que afetou todo setor. Passado esse momento, acredito que haverá, sim, uma recuperação em todos canais de vendas, inclusive das lojas físicas, já que muitos consumidores também vão querer voltar a frequentar uma loja. De qualquer forma, é inegável que a pandemia quebrou, sim, a resistência daqueles clientes que ainda desconfiavam da compra online. E a partir de uma boa experiência da compra em casa, não tem volta, dificilmente esse cliente deixará de comprar online, ainda que eventualmente queira fazer compras também em lojas físicas.

Há quem acredite que o destino Alagoas tem tudo para se expandir no turismo no pós-pandemia. O que você acredita que ainda falta para o turismo no Estado crescer mais?

 Com esse litoral, paisagens e praias mais lindas das américas, acredito que o que falta não apenas em Alagoas, mas em quase todo litoral do Brasil: aliar esse cenário com estradas bem sinalizadas, acessos, enfim, uma infraestrutura que faça com que o turista que desembarque no Aeroporto de Maceió, por exemplo, possa viajar com mais conforto por todos esses cenários, com mais informações e segurança. Isso não significa, claro, que devemos transformar esses refúgios mais preservados em destinos turísticos no estilo de Miami ou do Caribe. Acredito que o segredo está em aliar uma boa infraestrutura com a valorização dos apectos e da cultura local, incluindo mais opções de serviços sem perder a identidade local. Não apenas no turismo, mas também no próprio designer nacional, acredito que o segredo do sucesso está na união de um padrão de qualidade internacional com a preservação dos valores, cores e identidade local.




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