Último “cinema de bairro” em Maceió luta para chegar aos 40 anos em meio à crise do coronavírus

Publicado em 13 de Maio de 2020

por Rodrigo Cavalcante

Antes da era dos shoppings em Maceió, quando ainda era preciso enfrentar filas a céu aberto para comprar ingressos na bilheteria de cinemas como o São Luíz, no Centro da cidade, a inauguração em 1981 de duas salas de exibição dentro de um moderno complexo multiuso na Pajuçara com galeria de lojas e lanchonetes, edifício residencial e hotel - projeto do arquiteto Marcos Vieira -, foi uma verdadeira revolução.

Desde então, após os alagoanos assistirem passivamente ao fechamento de salas icônicas de cinemas como as do próprio São Luíz, do Lux, do Ideal (em cidades como Recife e Fortaleza, algumas salas tradicionais chegaram a ser tombadas pelo patrimônio público), o Centro Cultural Arte Pajuçara tornou-se o único sobrevivente em Maceió fora de uma grande rede de shoppings.

Sobreviveu à hiperinflação do Brasil nos anos 1980 – e a pelo menos quatro trocas de moeda (Cruzeiro, Cruzado, Cruzado Novo e Real).

Sobreviveu e à ascensão e morte das locadoras de vídeo (e, mais tarde, de DVDs).

Sobreviveu à transformação de salas de cinema em templos evangélicos. 

Sobreviveu à internet e serviços de streaming como Netflix.

E, agora, será que sobreviverá à crise do coronavírus, maior ameaça às salas de cinema em todo o mundo?

“Como a missão do Arte Pajuçara é exibir filmes de qualidade em Alagoas que nem sempre encontram espaço no circuito comercial, nossa sobrevivência depende do apoio não só da bilheteria, mas de patrocínios, convênios e projetos de lideranças comprometidas com a Cultura no Estado”, diz Marcos Sampaio, mais conhecido como Marcão, presidente da associação cultural sem fins lucrativos criada em 2013 para manter vivo o espaço após o Sesi deixar de encampar o centro.

Em meio à crise do coronavírus, a associação lançou recentemente uma série de campanhas de vendas antecipadas de ingressos para conseguir pagar em dia a folha da equipe. “Essas ações são  essenciais para mantermos não apenas os salários dos colaboradores, como os custos de locação e condomínio no espaço”, diz Marcão, que tem mais tempo de "casado" com o Arte Pajuçara do que com a própria esposa, Teresa (ele foi contratado como gerente das salas em 1990 pela então rede carioca Art Films).

De acordo com o líder do espaço, o público que comprar ingressos antecipados encontrará, passada a pandemia, um Arte Pajuçara ainda mais confortável e com melhor qualidade de imagem e de som. “Já trocamos o projetor, estamos reformando as poltronas e devemos investir na digitalização completa do sistema até o próximo ano, quando completaremos 40 anos”, diz Marcão, explicando que alguns desses investimentos só foram possíveis via emendas federais de apoio à Cultura de parlamentares alagoanos que vão do PT ao PSDB, como os deputados federais Paulão (PT), Tereza Nelma (PSDB) e do senador Rodrigo Cunha (PSDB).

Como esses aportes, contudo, são destinados apenas à infraestrutura, Marcão diz que a campanha de compra de ingressos tem sido essencial para manter os custos correntes da equipe. “São colaboradores que estão conosco há muito tempo e que não poderiam ser esquecidos nesse momento”, diz o comandante da sala.

Para saber mais sobre a campanha de compra antecipada de ingressos, clique no site do Arte Pajuçara aqui ou no Instagram aqui.



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