De volta a Maceió para show nesta 6ª, Djavan fala sobre o que mais lhe encanta (e incomoda) em AL

Publicado em 16 de Maio de 2017

por Rodrigo Cavalcante

Quarenta e quatro anos após deixar Maceió e desembarcar no Rio para dar início a uma carreira de projeção nacional e internacional (reconhecida em 2015 com o prêmio à excelência musical do Grammy Latino), Djavan volta novamente ao seu Estado natal para um show único nesta sexta (19), a partir das 21h, no Acrópole Hall (Jaraguá), da turnê Vidas Para Contar.

Durante esse período de mais de quatro décadas circulando pelo Brasil e pelo mundo, o que mudou no olhar de Djavan sobre Alagoas? Como ele avalia as mudanças (e as permanências) da economia do seu Estado?

No ano em que o Estado comemora 200 anos de emancipação política, AGENDA A conversou com o artista por telefone a poucos dias do show sobre o peso – e a leveza – de sua raiz alagoana.

AGENDA A: apesar dos 44 anos vivendo fora de Maceió, você nunca perdeu contato com Alagoas e, recentemente, tem sido visto cada vez mais por aqui. O que mudou no seu olhar sobre o Estado nas últimas décadas?   

Essa conexão não termina. Na verdade, com o passar dos anos, a necessidade de voltar só aumenta. Daí ter tomado, por exemplo, a decisão de reservar ao menos 15 dias no Natal para permanecer ao lado da família em Maceió. Esse será o sétimo ano consecutivo que faço questão de vir com meus filhos ao Estado. Acho importante manter essa conexão. E o melhor é que não preciso forçar nada, porque eles amam Maceió. Sobre as mudanças no Estado, procuro sempre acompanhar o que acontece por meio de amigos e parentes. Mas, como não estou aí no dia-a-dia, evito fazer críticas para não correr o risco de fazer algum comentário leviano. O que não significa, contudo, que não me incomode, assim como boa parte dos alagoanos, de ver certa inércia na exploração de todo potencial do nosso Estado.

Em que área essa inércia mais lhe incomoda?  

Na lentidão, por exemplo, de uma aposta maior do poder público em investir no turismo como grande potencial econômico do Estado. Alagoas tem uma vocação natural para o turismo, mas precisa investir bem mais em formação de pessoal, na infraestrutura de sua malha viária e na atração de redes hoteleiras e resorts internacionais se quiser atrair um público cada vez mais exigente. Apesar de Maceió contar com bons hotéis, onde sou muito bem acolhido, o fato é que a cidade conta com menos redes internacionais de peso quando comparada a outras capitais. Enfim, sei que não há recursos para se investir em tudo, mas acredito que o turismo pode ser um catalisador para desenvolver o Estado em várias áreas, já que boa parte dos problemas da pobreza e da escalada da violência são resultado da falta de alternativas econômicas e da falta de investimento em educação e formação de pessoas.

Como alguém que teve a chance de percorrer boa parte do mundo, em que exemplos Alagoas poderia se inspirar?

Claro que há uma série de bons exemplos de destinos internacionais, inclusive na América Latina, de países onde o turismo é levado a sério há décadas por meio de investimentos não apenas na atração de belos hotéis, como na formação de pessoal e na melhoria da infraestrutura. Mas aqui mesmo no Nordeste temos bons exemplos. Nas últimas décadas, Fortaleza deu um salto imenso no turismo e, mesmo cidades menores como Natal, têm crescido em um ritmo maior na área do que Maceió, o que me entristece como alagoano.  Apesar de melhorias como a duplicação da estrada no Litoral Sul até a Barra de São Miguel, ainda é muito pouco quando comparamos com outros Estados. E olha que Maceió continua despertando interesse de todos, já que tem uma gastronomia maravilhosa, uma bela orla urbana, as mais lindas praias do país, um povo hospitaleiro maravilhoso, enfim, imagine onde poderíamos chegar caso o poder público investisse mais no turismo.  

Seu último álbum, Vidas Pra Contar, do show que você apresentará na sexta em Maceió, foi apontado pela crítica como um dos mais “alegres e inspirados” dos seus últimos trabalhos. Com mais de 20 discos e quase cinco décadas de carreira, o que o compositor Djavan faz para evitar que suas novas canções não corram o risco de “plagiar” o legado do Djavan?

Levei cerca de dez anos para conseguir montar uma equipe e ficar livre para me concentrar no essencial, a criação da minha obra. Quando entro em um novo ciclo de criação, sou muito organizado e focado no trabalho, sem me preocupar com tendências e modismos do mercado musical. Em geral, levo um ano para desenvolver um novo trabalho, inicialmente em processo duro e solitário, já que não há atalhos para quem quer construir uma obra e deixar uma marca. Depois, levo mais um ano em turnês e apresentações. Mas já me acostumei com as dificuldades nesse processo desde o início da carreira, quando cheguei a ser aconselhado por dirigentes de gravadoras a simplificar minha música e seguir fórmulas de sucesso da época. Decidi seguir outro caminho. Acho que valeu a pena.  

Serviço

Djavan – tour 2017 do show Vidas para Contar

Data e Local: 19 de maio de 2017 (sexta), Acrópole Hall, Jaraguá (abertura da casa: 21h).

Pontos de venda: on line: www.eventim.com.br,  Loja Alethia (Maceió Shopping – térreo e Parque Shopping – 1º andar),

Mais informações: 82 3235-5301 (Site: www.suechamusca.com.br)


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