A vida e a carreira de Audifax Seabra, estilista alagoano que morreu aos 47 vítima da Covid-19

Publicado em 12 de Jun de 2020

Não é à toa que o estilista alagoano Audifax Seabra, que faleceu nesta quinta (11) em Maceió, aos 47 anos, vítima da Covid-19, era um dos nomes mais conhecidos na criação de vestidos para noivas – tendo assinado mais de 300 vestidos para clientes como Andréa Sarney (sobrinha do ex-presidente José Sarney), o terno de Carlinhos Maia e Lucas Guimarães, além de centenas de noivas alagoanas.

Quem o conhece desde o tempo de estudante, quando ele se dedicava com capricho e obsessão na organização de festas e apresentações no Colégio Sacramento, sabe do seu talento nato para captar a atenção do público com a produção de aberturas triunfais e belos figurinos – como no momento em que uma noiva entra na igreja.

Talvez por isso, Audifax não apenas desenhava o vestido, como acompanhava com atenção os detalhes de sua criação até a porta da igreja, quase sempre mais nervoso e apreensivo com o impacto de sua produção do que a própria noiva – nervosismo cuja intensidade gerava até incompreensão.

“Audifax unia talento e intensidade em tudo que fazia”, diz a fonoaudióloga Kristhinne Calheiros, cliente e amiga do estilista desde os tempos de colégio. “E ele usou essa energia e talento em criações que deixaram marcas nos momentos mais importantes na vida de centenas de pessoas”.

Nas redes sociais, amigos, parceiros, clientes e parentes deixaram mensagens em homenagem ao estilista. “Você enche nosso Estado e os alagoanos de orgulho com seu dom, sua capacidade de criar o inimaginável, você sonhava alto e realizava”, escreveu em suas redes a chef Sandy Farias, da Le Brulé cafeteria, a primeira noiva a usar um vestido criado por Audifax.

A filha de Audifax, a também estilista Maria Eduarda Seabra, Duda Seabra, deixou não apenas seu adeus emocionado, como se comprometeu a seguir o trabalho do pai. “Prometo seguir os seus passos e te dar o orgulho que você sempre quis”, escreveu.

O olhar para a moda veio de família. Audifax cresceu entre tecidos, acompanhando o trabalho da mãe, Lydia Seabra, no ateliê de roupas de malha sob medida que mantinha nos fundos de casa. Adolescente, sempre se destacou na escola por comandar os figurinos das apresentações artísticas das turmas. Iniciou o curso de Arquitetura, que acabou depois abandonando para morar dois anos em Londres, onde, curiosamente, começou a trabalhar como assistente em uma loja de noivas – experiência que lhe rendeu o aprendizado de vários detalhes de acabamento e atendimento que viria a utilizar mais tarde.

De volta a Maceió, e depois de empreender em duas lojas de moda casual, Audifax começou a direcionar seu trabalho para vestidos de festa. Bem relacionado, não demorou muito para que passasse a assinar vestidos de amigas – e de amigas das amigas, se mudando para o seu atual ateliê em 2006. O primeiro vestido de noiva, porém, foi um desafio dado pela amiga e florista Eva Amaral, para assinar o modelo de sua sobrinha, Sandy Farias, que casaria dentro de 20 dias – e que rendeu, na semana seguinte do casório, nada menos do que 12 encomendas de novos vestidos para noivas.

De lá para cá, em mais de 15 anos, as criações de Audifax já estamparam diversas edições de revistas como a Vogue Brasil e Caras, além de diversos desfiles. Nos últimos anos, compartilhava a vida e o trabalho com o companheiro Wendel Palhares, com quem completou seis anos de casado em 28 de maio passado. 

Mais uma história de vida -- e talento -- interrompida pela Covid-19.



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