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“Contos Levemente Eróticos”: ex-capitão Carlito Lima fala sobre novo livro lançado nesta sexta

Publicado em 25 de Outubro de 2019

Nesta sexta (25), às 19h, na cobertura do Edifício Empresarial Delmann, na Pajuçara, o ex-capitão do exército, escritor, fundador (e disseminador) das maiores festas literárias de Alagoas, Carlito Lima lança seu novo livro “Contos Levemente Eróticos” (Editora Livro Rápido, R$ 40).

Poucas horas antes do lançamento, ele conversou com AGENDA A.

AGENDA A: Qual a origem dos contos?

Há 17 anos, escrevo semanalmente a coluna “Histórias do Velho Capita” (publicada aos domingos, na Tribuna de Alagoas). É essa obrigação que, com prazer, permite que eu possa, todos os anos, escolher algumas dessas histórias para publicar em livro. Esse ano, decidi selecionar algumas histórias com fundo erótico, apoiada em casos reais, na vida como ela é, no sentido do Nelson Rodrigues. Sejam em casos biográficos vividos por mim ou por amigos, seja em casos narrados por outras pessoas. Certa vez, por exemplo, um colega me contou que o amigo estava se casando pela terceira vez, algo hoje em dia banal. Mas, quando ele me contou que a terceira esposa dele era filha da segunda, aí, sim, temos uma boa história.  

Por que o “levemente”?

Porque, de fato, nada é explícito, não há descrições nem passagens sexuais com detalhes grotescos. São contos com leveza, que insinuam, dão a entender. Talvez por isso tenha descoberto que a maioria dos leitores desses meus contos são mulheres. E mulheres com mais de 70 anos (risos).

Você faz parte de uma geração, sejamos diretos, que foi educada sexualmente nos cabarés. Como avô e escritor atento aos hábitos sexuais das novas gerações, o que melhorou e piorou de lá para cá?

Sim, isso acontecia pelo fato de que, antigamente, a virgindade da mulher ainda era tratada como um tabu. Então era aceito que um jovem, que ainda não podia fazer sexo com a namorada, descarregasse sua energia sexual na chamada zona de baixo meretrício que, na época, era até de alto meretrício, onde se encontravam boa parte de personalidades políticas e empresariais. Depois, com o advento da pílula e da chamada revolução sexual, além do movimentos pela autonomia das mulheres que vinha sendo embasado pela obra de autoras como Simone de Beauvoir, isso mudou completamente. Hoje, uma namorada leva seu namorado para fazer sexo na casa dela. Acho muito mais saudável e menos hipócrita do que no passado. No meu tempo, às vezes o sujeito tinha três tipos de relação. Um relacionamento com uma namorada considerada séria, só porque não era aberta ao sexo antes do casamento, outra com uma mulher mais liberal, que terminava sendo alvo de preconceito na sociedade e, finalmente, com prostitutas.

Em tempos de redes sociais, não é incomum que contos como os que você escreve sejam alvos de patrulhamento acusados de serem um tanto machistas. Como você lida com esse tipo de patrulhamento?

Acho legítimo e necessário que as mulheres lutem para conquistar cada vez mais espaço. Ainda que hoje, por exemplo, já seja possível encontrar mais mulheres do que homens numa faculdade de Medicina, a representação das mulheres no Congresso Nacional ou em altas cortes da Justiça, como o STJ, por exemplo, ainda representa uma porcentagem muito menor. E isso tem a ver com o machismo, é claro. Mas não posso escrever me autocensurando para me enquadrar no politicamente correto. Nem tampouco me sinto obrigado a me enquadrar neste ou naquele padrão. Até porque não sou politicamente correto, isso seria falso. Escrevo sobre casos reais, e se alguns desses casos são considerados machistas, é porque eles refletem o machismo que ainda prevalece no mundo. Mas, claro, em redes sociais como o Facebook, que têm uma vocação muito patrulhadora, vez ou outra alguém emite alguma opinião apontando isso ou aquilo. Respeito, mas não sou obrigado a me enquadrar nesse ou naquele padrão.

Verdade que, no próximo dia 2 de novembro, vocês recolocarão a placa no bairro do Jaraguá em homenagem às prostitutas que teriam preservado o bairro histórico?

Sim, ainda que involuntariamente, foi graças a elas que muitos imóveis do Jaraguá antigo permaneceram de pé. Já havíamos colocado uma placa em homenagem a elas, que foi retirada, mas agora recolocaremos a placa no próximo dia dois de novembro. E nos dias 4 e 5 de novembro, estarei fazendo palestras sobre o bairro e relançando o livro (sempre às 18h, no dia 4, no Iphan, e no dia 5, no Arquivo Público, os dois no Jaraguá).

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