“Queremos que saneamento na Grande Maceió seja referência no país”, diz diretor da BRK Ambiental

Publicado em 02 de Jun de 2021

Fernando Mangabeira, diretor presidente da BRK em AL: mais de R$ 2 bil em investimentos para universalizar acesso à água em Maceió e 12 cidades

 

Com quase 25 anos de experiência em projetos de saneamento em cidades do Sudeste (como Limeira, em São Paulo), Nordeste (em Recife e região metropolitana) e até em outros países (como a cidade portuária de Veracruz, no México), o engenheiro mecânico paulista (de Campinas) Fernando Mangabeira desembarcou em Maceió dezembro passado com uma tarefa nada fácil: fazer com que a concessão dos serviços de água e esgoto de Maceió e mais 12 cidades da Região Metropolitana arrematada em leilão pela BRK Ambiental, uma das maiores empresas privadas de saneamento do país, seja implementada não apenas com sucesso, mas se transforme em um modelo para uma nova fase de concessões privadas de saneamento no Brasil.

“O projeto de concessão realizado pelo Estado em parceria com o BNDES foi muito bem estruturado e não tenho dúvidas de que deve servir de modelo para todo país”, diz Mangabeira, que falou a AGENDA A pouco antes de se reunir com a imprensa local para apresentar os planos da empresa no Estado. 

AGENDA A: Vocês assinaram o contrato de concessão com o Governo do Estado em dezembro passado e desde janeiro estão acompanhando a operação ao lado da Casal. O que encontraram de pior e de melhor na estrutura de água e esgoto local?

Fernando Mangabeira: Os problemas do saneamento da Região Metropolitana de Maceió não são muito diferentes dos da maioria das cidades do Brasil. E não se trata de nenhum demérito de empresas estatais, incluindo a Casal, que vai continuar trabalhando na captação e fornecimento de água e tem em seu quadro profissionais e técnicos de excelência qualidade. Trata-se de um modelo histórico de falta de capacidade de investimento dos governos assim como de mudanças políticas de gestão que resultam em descontinuidades de projetos e deficiências operacionais. Se o sistema, afinal, estivesse funcionando sem nenhum problema, não haveria, claro, porque o governo fazer a concessão. Nosso papel aqui é exatamente o de ajudar a mudar esse panorama com nossa capacidade de aportar os recursos necessários e toda nossa experiência técnica para cumprir as metas de universalização do acesso à água e dos serviços de esgoto estabelecidas no contrato.

Comparando com outros projetos da BRK, como em Recife, por exemplo, a realidade que encontrou na Região Metropolitana de Maceió é pior ou melhor?

No Grande Recife, por exemplo, encontramos uma situação em Jaboatão dos Guararapes em que o índice de tratamento de esgoto era praticamente zero. E não encontramos essa mesma situação em Maceió, que inclusive vinha realizando uma parceria público privada com empresas como a Sanama, na parte alta da cidade, que serão mantidas. Mas é claro que temos outros grandes desafios como o do saneamento de regiões com características específicas, como o das grotas da cidade.

Existe tecnologia e viabilidade para levar água e esgotamento sanitário às grotas da capital?

É um desafio grande, inclusive pela geografia das grotas, que torna a implantação até mais difícil do que nos morros e favelas. Mas não vamos nos acomodar nem poupar recursos nem trabalho para atingir nossas metas. Tecnicamente, o maior desafio nesses locais não é levar a água, mas o serviço de esgoto adequado. Mas, além de usar nossos recursos e experiência, acredito que podemos envolver também a academia, startups, enfim, agregar todas as inovações para minimizar esses problemas.  

Além dos R$ 2 bilhões pagos pela BRK ao Estado para vencer o leilão, o contrato estima que a empresa deva investir outros R$ 2,6 bilhões em saneamento, sendo R$ 2 bilhões já nos primeiros seis anos. Onde será investido esse primeiro aporte?

São vários investimentos, a começar pela ampliação do ETA (Estação de Tratamento de Água) Pratagy. Nós vamos mais que dobrar a capacidade atual do sistema em cinco anos. Em paralelo, serão realizados uma série de investimentos na implantação de redes de água, adutoras e emissários. 

Você deve ter percebido que, em Maceió, criou-se um mercado paralelo e ilegal de venda de água via caminhões pipa. Ao assumirem a operação de distribuição de água na região metropolitana, como vocês pretendem enfrentar esse mercado?

Nossa obrigação prioritária é garantir a ampliação da produção para que todos tenham acesso à água de qualidade sem necessidade de buscar fontes alternativas. Daí a importância da ampliação do sistema ETA Pratagy. Com a garantia do acesso a todos, o problema da venda ilegal de água terá que ser enfrentado não apenas por nós, até porque esse é um problema com impacto direto em outras áreas, inclusive de saúde pública.   

Como esses investimentos em rede ainda serão realizados, o que a população pode esperar de mudança a partir de primeiro de julho?

Além dos investimentos já citados, acredito que a primeira mudança a curto prazo que os clientes deverão perceber será no atendimento. Na prática, isso inclui a abertura de canais digitais e 0800 24 horas, facilidades de pagamento das faturas e a ampliação de lojas físicas presentes nos 13 municípios onde estaremos atuando (Atalaia, Barra de Santo Antônio, Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Maceió, Marechal Deodoro, Messias, Murici, Paipueira, Pilar, Rio Largo, Satuba e Santa Luzia do Norte). Apesar de atuarmos num segmento do chamado monopólio natural, não nos acomodamos e prezamos sempre pela satisfação dos nossos clientes.

Pelo contrato, vocês terão que alcançar a universalização do serviço de água até 2027. Ou seja, em apenas seis anos. A meta é factível?

Sim, é factível. Claro que teremos enormes desafios. Mas não tenho dúvidas de que o modelo de concessão realizado aqui, desenvolvido pelo governo do Estado em parceria com o BNDES, tem tudo para ser um marco e uma referência em mudança de saneamento não apenas no Nordeste, mas em todo o país.




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