Quem é, afinal, o grupo que pagou R$ 1,5 bi para explorar campos de petróleo e gás de Alagoas

Publicado em 07 de Jul de 2021

Luiz Felipe Coutinho (acima), CEO da Origem Energia: empresa comandará produção de petróleo e gás em Alagoas

 

Trezentos milhões de dólares -- mais de R$ 1,5 bilhão no câmbio até a data desta postagem.

Quando a Petrobras anunciou, semana passada, a venda pelo valor acima de todos os  campos de petróleo e gás de Alagoas (incluindo a Unidade de Processamento de Gás Natural em Pilar), pouca gente no mercado havia ouvido falar na empresa compradora, a Petro+, criada no Rio de Janeiro há apenas cinco anos por três jovens empreendedores que decidiram investir em campos terrestres que já não interessavam à estatal -- como o campo de Garça, no Espírito Santo, o primeiro a ser comprado pela empresa em 2017.   

A aquisição do Polo Alagoas, contudo, revelou ao mercado que a empresa entrou em um novo patamar.

Com o aporte do Fundo de Investimento PSS Energy Fund, gerido pela paulistana Prisma Capital (que se tornou acionista controlador), a empresa ganhou nova escala para a aquisição do Polo Alagoas -- e, agora, novo nome, apresentado nesta quarta-feira:  Origem Energia. 

“Diferentemente de outros ativos vendidos até agora pela Petrobras, o Polo Alagoas tem um perfil autossuficiente, com uma infraestrutura muito robusta”, diz o CEO da Origem, Luiz Felipe Coutinho, um dos três fundadores da empresa com os sócios Luna Viana e Nathan Biddle. “É um ativo que nos posiciona para explorarmos atividades adjacentes, incluindo geração de energia térmica e GNL (Gás Natural Liquefeito) de pequena escala”.

Com a aquisição em Alagoas das sete concessões de produção em terra e águas rasas (operadas pela Petrobras desde os anos 70), a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN), duas estações de tratamento e uma malha de 230 km de dutos com acesso direto ao terminal de exportação de óleo em Maceió, a empresa assumirá, na prática, toda a produção remanescente da Petrobras no Estado -- o que a tornará uma das maiores produtoras independentes de óleo e gás do país.

Apesar da produção dos campos em Alagoas ter pouco peso quando comparado aos campos de exploração de outros Estados (principalmente diante das grandes reservas em águas marítimas do Estado vizinho, Sergipe), especialistas do setor apontam que a aquisição do Polo Alagoas terá um papel importante em reaquecer o mercado em torno dessas operações.

“É um movimento importante que gera empregos em campos de produção que não eram mais foco de investimentos da Petrobras”, disse à AGENDA A Magda Chambriard, ex-diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “Afinal, se esses campos não eram considerados mais significativos para a escala de produção da Petrobras, eles são muito relevantes para empresas de um porte médio que enxergam neles oportunidades de crescimento”.

Ainda segundo a ex-diretora da ANP, a chegada desses investimentos em campos terrestres tem um impacto que vai além do aumento da produção local. “Uma das características dos campos de exploração terrestres é que, comparativamente com a produção em águas oceânicas, eles demandam uma cadeia de serviços que emprega bem mais pessoas”, diz Magda Chambriard.

De olho nesse mercado, a Prefeitura de Pilar, que sedia a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) que passa agora às mãos da Origem Energia, já solicitou um estudo e mediação da Universidade Federal de Alagoas para avaliar a possibilidade de expansão da produção local.




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