Premiadas nacionalmente, cervejas alagoanas ainda encontram barreiras de venda no próprio Estado

Publicado em 29 de Novembro de 2021

Sexta passada, 26 de novembro, Alagoas foi o Estado do Norte-Nordeste a vencer o maior número de medalhas no Brasil Beer Cup, realizado em Florianópolis, em Santa Catarina, pelo Science of Beer Institute – que recebeu inscrições de mais de 1.200 cervejarias do Brasil, Uruguai e México.

No total, 7 medalhas foram conquistadas pelos rótulos alagoanos.

Cinco delas foram para a Caatinga Rocks, que levou dessa vez uma medalha de ouro com o rótulo “Alagoas Sour Ale” (lançada em outubro em parceria com a Beeva Brasil, produtora de mel no Estado), duas medalhas de prata (com a English Pale Ale “Velho Chico” e a Sour Cactos IPA “Mandacaru Atômico”) e duas de bronze (com a “Serelepe” e a “Twist & Sour”, em colaboração com a cervejaria Dádiva, de São Paulo). 

As outras duas medalhas de Alagoas foram para a cervejaria Hop Bros, que levou uma de prata com o rótulo Everest (cerveja de base belga ácida com dupla fermentação, envelhecida por 6 meses em barrica de carvalho de uso de vinho tinto e adição de sal rosa) e uma medalha de bronze com o rótulo Brett Saison, com pimentas de cheiro e cumari.

Além do desempenho semana passada no Brasil Beer Cup semana passada, as duas marcas alagoanos colecionam medalhas nacionais em outras grandes premiações como a Copa Poa de Cerveja, de Porto Alegre, onde as duas já tiveram rótulos vencedores do maior prêmio do concurso, “Best of Show” – a English Serelepe Brasileira, da Caatinga, levou o prêmio em 2017, e a Barley Wine, da Hop Bros, levou o prêmio em 2019.

Apesar do reconhecimento nacional, as cervejarias artesanais alagoanas ainda encontram barreiras de mercado para aumentarem a venda no próprio Estado. “Como não temos o poder financeiro para concorrer com as gigantes do setor, que patrocinam a maioria de bares e restaurantes em troca de exclusividade, nosso maior volume de vendas acaba sendo em eventos”, diz Marcus Leal, da Caatinga Rocks. “Ainda são raros os bares e restaurantes como o Divina Gula, por exemplo, que não se submetem à política de exclusividade e valorizam os rótulos alagoanos”.

Para Rodrigo Inojosa, da Hop Bros, além dos custos de produção e tributação entre Estados, é exatamente esse duopólio que “compra”, com patrocínio, a maioria dos bares e restaurantes, o maior entrave para o crescimento de vendas no Estado.

“O problema não é o preço, já que temos condições de oferecer um chope de qualidade com preço final até menor do que o desses grandes grupos”, diz Inojosa. 

Com preço atraente e dezenas de prêmios no currículo, talvez só haja uma maneira, de fato, para que mais bares e restaurantes do Estado incluam as marcas premiadas do Estado no cardápio: a cobrança do próprio consumidor. 

Que tal começar a perguntar: “Tem chope alagoano"?




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