Refúgio: pousadas de luxo no litoral de AL são únicas a manter ocupação acima de 60% na pandemia

Publicado em 14 de Abril de 2021

Kenoa Beach Resort: refúgio de luxo no litoral mantém ocupação entre 60 e 70% 

 

Em meio a um dos momentos mais críticos da pandemia -- e praias fechadas em Maceió --, a taxa média de ocupação da hotelaria em Alagoas despencou para pouco mais de 20% este mês.

Em meio à maior crise do setor no Estado (que já se reflete em dezenas de demissões nos últimos dias), apenas um nicho parece mais resistente à queda no fluxo de turistas ao Estado: o segmento de pequenos hotéis e resorts de alto luxo situados em recantos estratégicos do litoral alagoano.

No Litoral Sul, o Kenoa Beach Resort, em um dos trechos mais discretos e sossegados da Barra de São Miguel, é um dos que continuam procurados na pandemia por um seleto grupo de visitantes, a maioria de São Paulo, dispostos a pagar diárias acima de R$ 3000 para fugir da rotina de distanciamento social em grandes metrópoles. 

Com apenas 23 quartos, o resort, um dos dois únicos no Brasil com o selo Small Luxury Hotels, alcançou taxas de ocupação no início do ano de 85% a 90% e, nos últimos dias, segundo apurou AGENDA A, teve queda na ocupação para pouco mais de 60%.

Uma queda significativa -- mas, ainda assim, de fazer inveja aos hotéis de Maceió, muitos deles de portas fechadas.

Nesse período, o Kenoa Beach Resort chegou a oferecer descontos progressivos a clientes que passassem mais de quatro dias hospedados. Segundo fontes internas, a ação deu resultados e o resort teve um aumento na média de dias de estadia por cliente.

Já no Litoral Norte, o Pedras do Patacho, de frente à praia homônima, em Porto de Pedras, também tem mantido uma boa taxa de ocupação nesse período. Com apenas 15 quartos destinados a casais (a pousada não aceita crianças), AGENDA A apurou que a média de ocupação chega a 70% mesmo na fase vermelha. Com esse número de quartos,  a pousada, com diárias próximas de R$ 2000 (nesse período de baixa), atrai o hóspede em busca de refúgio da pandemia com um serviço personalizado que permite fazer refeições na praia, piscina ou outro local desejado, sem precisar ir ao restaurante da pousada ou ter contato com outros hóspedes. Para diminuir a necessidade de contato com os próprios atendentes, a pousada criou um check in eletrônico e qualquer pedido do hóspede com o staff pode ser feito por meio de um grupo privado no WhatsApp.   

“Esses casos são raríssimas exceções que podem e devem ser comemorados, mas que não retratam em nada os indicadores atuais da nossa hotelaria, que enfrenta uma das piores crises de sua história”, diz Danielle Novis, ex-secretária estadual de turismo no Estado e atual superintendente do Maceió Convention Bureau. “Para se ter uma ideia, mesmo durante a Semana Santa, a taxa média de ocupação atingiu apenas 27% e hoje está num patamar ainda mais baixo, inviabilizando o fluxo de caixa de vários empreendimentos”.

De acordo com Danielle Novis, apesar de exceções, os casos acima ao menos sinalizam como o perfil do turismo no Estado, ligado ao sol e mar e espaços abertos, se adequa bem a esse conceito de “turismo refúgio” que deve se manter em alta mesmo após esse momento crítico da pandemia. “É preciso tanto agir agora para minimizar os prejuízos do setor quanto planejar o futuro para que essa retomada se dê da forma mais rápida e eficiente possível”, diz Novis. 

Pousada Pedras do Patacho: ocupação acima de 70% e serviço personalizado que minimiza contato físico com o hóspede



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