“Piaçava de luxo”: projetos na região de Milagres usam materiais locais para reduzir impacto na paisagem

Publicado em 12 de Maio de 2021

 

Detalhe projeto dos novos quartos do Paru Boutique Hotel: harmonia entre materiais locais e alto padrão de conforto

 

Do alto, a cobertura de palhas de piaçava não se diferencia muito das casas com palhas de coqueiro de pescadores da região.

Ao chegar mais perto, contudo, o visitante logo se dá conta de que está em uma das pousadas sofisticadas do Litoral Norte alagoano, com projeto arquitetônico que alia quartos de alto padrão para um turista exigente com o uso de uma série de materiais que se harmonizam à paisagem.

Localizado na Praia do Marceneiro, em Passo do Camaragibe, já próximo de São Miguel dos Milagres, o projeto de expansão do Paru Boutique Hotel, assinado pelo escritório de arquitetura Angeli Leão em parceria com a proprietária e arquiteta Bianca Uchôa, é um dos exemplos no Litoral Norte alagoano que usam materiais tradicionais e adequados ao local.

“Não se trata apenas de usar a palha da piaçava como cobertura estética”, diz o arquiteto Ricardo Leão. “Trata-se de entender como o material pode melhorar o conforto térmico e a ventilação do local adequando-o a outros elementos para atender às demandas do projeto”.

No caso da piaçava, por exemplo, as adequações vão desde tratamentos de proteção (como a aplicação de um revestimento “retardante antichamas” específico para fibras naturais) como a inclusão de microtelas para impedir a passagem de insetos. Além disso, o arquiteto Tiago Angeli, sócio do escritório,  explica que a área específica da suíte nas cabanas foi projetada com forro de madeira no teto cercado de vidros nas laterais (com cortinas), o que dá ao hóspede a opção de fechar o ambiente para usar condicionador de ar ou mantê-lo aberto como a porta de uma varanda.

“A ideia é tirar o melhor proveito da ventilação oferecida pela cobertura de piaçava sem sacrificar o conforto do hóspede na hora de dormir”, diz Tiago, explicando que, além da piaçava, o projeto usou materiais e mão-de-obra local no desenvolvimento de móveis e até tijolos e telhas, produzidas numa olaria da região.

Não muito distante dali, a Pousada Haya, inaugurada em outubro do ano passado com projeto assinado pela Agra Lemos Arquitetura, segue a mesma filosofia do uso de materiais locais para se harmonizar à paisagem e o máximo uso de recursos e mão-de-obra local.

“Para esse perfil de hóspede, o verdadeiro luxo está na simplicidade e autenticidade na escolha de todos os elementos do projeto, incluindo móveis, luminárias, uso de plantas locais e revestimentos que dão um toque mais natural aos ambientes”, diz a arquiteta Waleska Agra. 

A piscina do hotel, por exemplo, usou como revestimento piso cimentíssimo atérmico que dá um toque mais rústico e natural no lugar do tradicionais mosaicos e azulejos. Já o teto do restaurante da pousada é revestido por centenas de varinhas de madeira (veja foto ao lado). 

“Alguns desses elementos, como o piso da piscina, por exemplo, não são escolhidos por serem mais baratos, mas por entrar em harmonia com vários outros elementos da paisagem”, diz a arquiteta. “Ao respeitar esse ambiente e identidade local, estamos também preservando as características que tornaram a região um dos destinos mais procurados no litoral brasileiro”.

Paru Boutique Hotel: piaçava com tratamento antichamas em harmonia com arquitetura da região

 

Detalhe do interior do quarto: proteção com forro de madeira e vidro com vista para terraço da cabana


Revestimento da piscina da Pousada Haya: uso de cimentício para dar mais rusticidade ao ambiente

 


Vista aérea da Pousada Haya: móveis e luminárias produzidos com material e mão de obra local


 





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