Será que o Arte Pajuçara terá o mesmo fim do extinto São Luiz?

Publicado em 17 de Maio de 2022

Arte Pajuçara (acima) e fachada do Cine São Luiz, no Centro de Maceió, em foto antiga

 

por Rodrigo Cavalcante

Mais uma vez, o Centro Cultural Arte Pajuçara corre o risco de fechar suas portas.

Dessa vez, decorrente de uma ordem judicial de despejo em função de aluguéis atrasados acumulados desde antes da pandemia.

Mais uma vez também, a direção do espaço expôs o problema ao público e pediu ajuda financeira via uma vaquinha virtual que arrecadou, até o momento desta postagem, cerca de um quarto do valor necessário para quitar a dívida - cujo valor, à vista, é de cerca de R$ 100 mil. 

Sim, a prioridade deste momento é evitar a execução da ordem de despejo e todo – esforço neste sentido é válido (para colaborar, clique aqui).

Uma vez cumprida esta primeira meta, contudo, é hora (na verdade, já passou da hora) da sociedade alagoana cobrar apoio sustentável para a manutenção de espaços essenciais para a Cultura do Estado.

Ao contrário do que pensam alguns, o problema do Arte Pajuçara não é “falta de gestão”.

É falta de apoio mesmo.

Em todo o mundo, espaços culturais e cineclubes como o Arte Pajuçara não sobrevivem apenas da bilheteria ou da venda de produtos.

Se até mesmo as grandes redes multiplex de salas comerciais enfrentam uma das maiores crises econômicas da história (após a pandemia e ascensão do streaming, não conseguem equilibrar o caixa nem com ingressos nem com a bomboniere), como esperar que um centro cultural como Arte Pajuçara pague despesas de energia (cerca de R$ 10 mil mensais), aluguel, condominio, pessoal, entre outras, com ingressos com o valor mais acessível do Estado (em que cerca de metade do valor é destinado às distribuidoras)?

Ainda que tivesse todas as sessões lotadas – o que não costuma ocorrer em salas que privilegiam filmes de qualidade sem o mesmo apelo dos lançamentos comerciais –, o fato é que o Arte Pajuçara não sobreviverá sem um fluxo fixo e constante de suporte e patrocínio, seja privado ou público.

Desde que o Sesi Alagoas, em 2013, decidiu deixar de ser o mantenedor do espaço, o Arte Pajuçara só sobreviveu graças à obstinação do Marcos Sampaio, o Marcão, que montou uma associação sem fins lucrativos para correr em busca de apoios para a sobrevivência do centro. 

Com patrocínios pontuais e até emendas parlamentares que destinaram recursos para o espaço (do deputado Federal Paulão, do PT, senador Rodrigo Cunha, hoje no União Brasi, Tereza Nelma, do PSD), o Arte Pajuçara passou por reformas e ganhou novo sistema de som e projeção, o que melhorou a qualidade das sessões e permitiu a exibição de lançamentos que ajudaram a atrair uma plateia maior ao espaço.

“Esses apoios foram essenciais para a ampliação e melhoria do espaço, mas não cobrem os custos mensais”, diz Marcos Sampaio, lembrando que apenas as despesas básicas de manutenção superam os R$ 25 mil reais por mês - sem incluir sequer pessoal.

Um valor muito, muito baixo diante do impacto do espaço para cultura do Estado - e bem mais baixo do custo de manutenção de cineclubes em Estados vizinhos.

Para se ter uma ideia, em abril passado, por exemplo, o Governo de Pernambuco destinou, de uma só vez, R$1,3 milhão de reais apenas para uma reforma (que inclui mudança no sistema de climatização) do Cineclube São Luiz, uma das salas ícones do Estado que foi tombada em 2008 – assim como o São Luiz de Fortaleza foi tombado em 1991.

Já o São Luiz de Alagoas que, também foi, por décadas, o cinema mais importante no Estado, fechou suas portas no Centro de Maceió em meados dos anos 1990 diante da passividade de muitos alagoanos – e hoje pode ser lembrado apenas por fotos como a acima.

Que o Arte Pajuçara não tenha o mesmo destino.



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