Dez anos sem Vera Arruda: relembre carreira da alagoana que mudou a moda brasileira

Publicado em 31 de Jul de 2014

Para as gerações que cresceram cercadas pela explosão de cores de estilistas como Adriana Barra, Isabela Capeto, pelas rendas artesanais de Martha Medeiros ou estampas tropicais de lojas como a Farm, talvez seja difícil imaginar como andava a moda nacional antes da ascensão de Vera Arruda, a estilista alagoana que morreu há exatos dez anos (31 de julho de 2004), aos 38 anos, e ainda assim conseguiu deixar um legado que até hoje influencia o trabalho de novos criadores no país.

“No final dos anos 1990, boa parte das grandes marcas seguiam os padrões minimalistas, geométricos e com modelos andróginos para tentar se adequar ao mercado internacional”, lembra a jornalista e produtora de moda Alina Amaral. “Vera Arruda seguiu na contramão e sacudiu o mercado ao apresentar peças que resgatavam as cores, a exuberância e a feminilidade da mulher brasileira”.

Um dos marcos da projeção de Vera Arruda no cenário nacional deu-se em 1998, quando a estilista chamou a atenção do júri que selecionava trabalhos para o Phytoervas Fashion Awards. Sem patrocinador, a alagoana tirou dinheiro do próprio bolso para bancar o material, as costureiras e as bordadeiras para confeccionar suas peças. O reconhecimento, contudo, veio logo em seguida, quando Vera foi a única estilista aplaudida de pé pela plateia após o desfile e ganhou destaque nos principais jornais e revistas do país.

Nesse período, a alagoana tornou-se um dos nomes preferidos de famosos como Adriane Galisteu, Deborah Secco, Luana Piovani, Carolina Dieckman, Guilhermina Guinle e Hebe Camargo. Suas peças e acessórios, que abusavam das miçangas, fitilhos e crochês, logo apareceram nas principais capas de revistas do país usadas por modelos em ascensão (na época), como a gaúcha Gisele Bündchen.   

A partir daí, as encomendas não pararam. Além de abrir sua primeira loja na tradicional Rua Oscar Freire, em São Paulo, ainda arrumava tempo para desenhar para grifes como Ellus e Daslu e fazer figurinos para Ivete Sangalo, Astrid Fontenelle, Margareth Menezes, Xuxa, Chitãozinho e Xororó, Timbalada, Leonardo, Daniel e Miguel Falabella.

No auge da fama, descobriu um câncer no timo (órgão linfático localizado no tórax) e chegou a ficar três semanas internadas no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, após sofrer uma hepatite fulminante decorrente dos medicamentos usados para o tratamento da doença. Mesmo doente, no hospital, criou 15 pijamas coloridos para serem usados por ela avisando aos médicos que jamais iria vestir “aquela camisola com bunda de fora”.

Morreu, aos 38 anos, na madrugada de um sábado, 31 de julho de 2004, deixando a filha Maria João, que na época tinha quatro anos e atualmente mora em Salvador, com seu pai e a avó.

“É uma pena que ela tenha ido tão cedo, pois ainda tinha muito a mostrar para as pessoas”, disse logo após sua morte a jornalista Érika Palomino, da Folha de São Paulo. Em Maceió, o nome da estilista hoje é mais conhecido pelo corredor cultural Vera Arruda, no bairro do Stella Maris, e parte do seu legado é levado à frente pela família – como a irmã Adriana Arruda, que assina uma linha de bijuterias e acessórios inspirada no estilo de Vera.  

Dez anos após a morte da estilista, AGENDA A relembra abaixo momentos marcantes com imagens cedidas por sua sobrinha, a jornalista Renata Arruda.

por Rodrigo Cavalcante e Renée Le Campion



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