Com projeções e tecnologia, novo museu resgata história da Justiça alagoana

Publicado em 14 de Janeiro de 2021

 

Para o bem ou para o mal, não há como entender Alagoas sem conhecer a história do Judiciário no Estado.

Afinal, desde que o Tribunal de Justiça do Estado foi criado em 1892, pouco mais de dois anos após a Proclamação da República (à época, com o nome de Tribunal Superior), as decisões dos 97 desembargadores que passaram por lá moldaram alguns dos fatos mais emblemáticos do Estado.

Do episódio do Quebra do Xangô, em 1912, ao Impeachment de Muniz Falcão, em 1957, do assassinato de Delmiro Gouveia, em 1917, ao assassinato do vereador Renildo José, em 1993, em Coqueiro Seco, o Tribunal de Justiça guarda boa parte da memória alagoana – ainda que de forma descuidada e praticamente inacessível à maioria dos alagoanos.

Nesta quarta (13), contudo, a Justiça deu um passo importante para corrigir essa falha com a abertura do Centro de Cultura e Memória do Poder Judiciário de Alagoas, sediada no Palácio da Justiça, antigo edifício do Tribunal erguido em 1912, na Praça Deodoro, projetado pelo arquiteto Luigi Lucarini –  que projetou na mesma praça o Teatro Deodoro.

Apesar de ter sido montado em tempo recorde pelo estúdio Núcleo Zero e pelo escritório de arquitetura GRS, o centro de cultura se tornou um dos mais modernos da capital aliando um rico acervo de documentos e objetos que testemunharam momentos históricos do Estado ao lado de painéis e totens digitais que permitem ao visitante a possibilidade de consulta a fotos, histórias, íntegra de processos raros em PDF, além de vídeos de entrevistas com estudiosos e pesquisadores sobre os temas abordados no museu.

“Entregar um centro de memória como esse é, de certa forma, pagar uma dívida com toda a sociedade alagoana”, disse o desembargador Tutmés Airan, presidente do Tribunal de Justiça. “Até porque os documentos reunidos aqui narram dramas e histórias reais que não devem ser esquecidos”.

Além do acervo de processos e outros conteúdos disponíveis ao visitante, o museu também expõe livros, objetos e documentos raros resgatados pelo juiz de Direito e historiador Claudemiro Avelino de Souza, curador do acervo do museu que há anos pesquisa os primórdios da Justiça no Estado. “Desde o tempo da fundação da Comarca de Alagoas, em 1712, a história de Alagoas se confunde com a história do judiciário”, diz Claudemiro. “Daí a importância desse centro não apenas como forma de preservar essa memória, mas também para revivê-la e democratizá-la”.

Para a diretora do novo Centro de Cultura e Memória, a servidora do judiciário e artista Irina Costa, o museu foi concebido como um espaço dinâmico que será enriquecido periodicamente com novos documentos importantes sobre a Justiça do Estado e novos espaços voltados para exposições temporárias e eventos culturais. “Mais do que um centro de memória, queremos que esse espaço seja um centro pulsante de vida e cultura, na mesma Praça Deodoro que abriga nosso belo teatro que também foi projetado por Lucarini”, diz a diretora do novo Centro.



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