O legado de Abel Tenório, um dos pioneiros da Geologia em AL que faleceu em Maceió nesta segunda

Publicado em 15 de Jun de 2021

Professor Abel Tenório: formado em um dos primeiros cursos de Geologia no Brasil, ele se tornou referência em ensino e pesquisa

 

Ele tinha 1,62 m de estatura, era discreto (costumava falar baixo) e não gostava de chamar atenção para si.

Mas quem o conhecia pelas aulas na UFAL, pelos artigos e citações em revistas científicas ou pelos trabalhos de consultoria para empresas como a Casal, sabia que estava diante de um gigante da Geologia no Estado.

O professor, pesquisador, pai, avô e bisavô Abel Tenório Cavalcante faleceu ontem aos 86 anos no Hospital Vida, em Maceió, vítima de complicações de uma pneumonia, deixando órfãos várias gerações de engenheiros, geógrafos e geólogos que tiveram a oportunidade de aprender com um dos pioneiros na pesquisa geológica em Alagoas.

Pioneirismo, no caso do professor Abel, no sentido concreto da palavra. 

Afinal, em 1957, apenas três anos após a criação da Petrobras, ele ingressou na primeira turma em Pernambuco de um dos quatro primeiros cursos de Geologia do Brasil criados no Governo Juscelino Kubitschek para formar profissionais e pesquisadores na área do Brasil.

Após se formar, Abel voltou a Maceió e deu início à sua carreira como pesquisador e professor dos cursos da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Alagoas, criada ainda naquele ano, onde lecionou por mais de 40 anos -- tendo dado aulas quando a Faculdade era localizada ainda na Praça Sinimbu, no mesmo prédio que hoje funciona o Espaço Cultural da Ufal. (Veja abaixo vídeo de homenagem do CREA-AL com depoimento de ex-alunos). 

Nos anos 1970, ele aprofundou suas pesquisas ao fazer Mestrado em Geociências e especialização em Mineralogia e Petrografia na Universidade Federal de Pernambuco, tornando-se referência em Hidrogeologia, o ramo da Geologia que estuda a água subterrânea. Em Alagoas, não só escreveu artigos sobre os aquíferos do Estado, como se tornou consultor da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) que usava suas pesquisas para orientar a perfuração de poços que ampliaram a capacidade de captação e distribuição de água no Estado.  

“Ele nunca deixou de pesquisar e até recentemente continuava a ser requisitado como consultor em sua área”, diz o geólogo Ricardo Queiroz, professor de Hidrologia no Cesmac. “E, apesar de todo seu conhecimento, sempre manteve a generosidade e o espírito de colaboração e compartilhamento com seus colegas”.

Como pesquisador rigoroso da Geologia no Estado, Abel Tenório evitava emitir opiniões apressadas (ou superficiais) sobre temas complexos, como o recente caso de subsidência do bairro do Pinheiro e adjacências. “Conhecedor profundo da complexidade do estudo dos fenômenos geológicos, ele mantinha-se rigoroso em suas análises e evitava conclusões simplistas", diz Queiroz.

Abel sabia, afinal, que diante dos milhões e até bilhões de anos do chamado tempo geológico, um pesquisador que viveu “só” até os 86 anos como ele deveria sempre manter a humildade -- na pesquisa e na vida.




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