O adeus a Elinaldo Barros: crítico de cinema alagoano morre aos 74 anos

Publicado em 23 de Jul de 2021

(A família de Elinaldo Barros informou a AGENDA A que o velório será realizado nesta sexta a partir das 13h30, no cemitério Memorial Parque Maceió, no Benedito Bentes, com sepultamento previsto às 18h)

 

Às sextas-feiras, os alagoanos apaixonados por cinema sabiam que podiam contar com a companhia de Elinaldo Barros de manhã cedo (em seus quadros na TV anunciando os novos filmes em cartaz) até à noite (quando ele fazia questão de receber pessoalmente e com uma resenha em papel na mão todos os frequentadores das chamadas “sessões de arte”).

Na foi nesta sexta, 23 (por volta das 4h30 da manhã, segundo as primeiras informações), que Elinaldo faleceu, aos 74 anos, no Hospital Unimed em Maceió, vítima de complicações de um câncer (de próstata e bexiga) que deteriorou seu quadro de saúde que já vinha se agravando há alguns anos decorrente da doença de Parkinson.

Nascido no bairro da Ponta Grossa, próximo do então Cinema Lux, Elinaldo gostava de contar que sua paixão pelo cinema nasceu de uma recomendação médica do pediatra e também folclorista Théo Brandão -- que teria sugerido a seus pais que o levassem ao cinema para que ele pudesse se recuperar de uma gripe forte e se distrair sem grandes agitações.

“Ainda guardo na memória algumas cenas do primeiro filme que assisti, O Cangaceiro (1953), de Vitor Lima Barreto”, escreveu Elinaldo em seu livro Panorama do Cinema Alagoano. “Vi o filme várias vezes, como se fosse à conta-gotas, memorizando diálogos, que depois repercutiam nas brincadeiras de ruas”.

Além de se tornar frequentador assíduo das matinês do Cine Lux, Ideal e Royal, Elinaldo Barros, já no final dos anos 1960, passou a frequentar também as sessões do “Cinema de Arte” no então cinema São Luiz, no Centro de Maceió, comandada então por um grupo de jovens universitários, Radjalma Cavalcante, Gildo Marçal e Imanoel Caldas. 

Anos depois, o próprio Elinaldo resgataria a tradição do Cinema de Arte em Maceió  organizando sessões (uma na sexta à noite e outra sábado pela manhã) nos cinemas do grupo Severiano Ribeiro no então Shopping Iguatemi, atual Maceió Shopping. Formado em Letras, Elinaldo conciliava seu trabalho como professor (em instituições como o Colégio Guido de Fontgalland e Cesmac) com a paixão pelo cinema, escrevendo críticas em jornais, apresentando quadros na TV sobre o cinema (na TV Gazeta e depois TV Pajuçara), além de se tornar um guardião da memória do cinema em Alagoas por meio de inúmeros livros como o já citado Panorama do Cinema Alagoano.

“Elinaldo Barros inspirou gerações de alagoanos não apenas por sua paixão contagiante pelo cinema, mas também pela figura humana maravilhosa que ele sempre foi”, diz Marcos Sampaio Araújo, ex-diretor de políticas culturais da FMAC e coordenador do Centro Cultural Arte Pajuçara, cuja a sala de cinema, com toda a justiça, leva o nome de Elinaldo.

Confira abaixo vídeo com depoimento de Elinaldo sobre o início de sua paixão pelo cinema:




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