Conheça o artista alagoano escolhido para representar o Brasil na Bienal de Arte de Veneza

Publicado em 11 de Janeiro de 2022

                                                                                                                             (Foto Jéssica Bernardo)

 

Aos 39 anos, o maceioense radicado em Recife, Jonathas de Andrade, já é considerado um dos artistas brasileiros de maior destaque no cenário da arte mundial.

Após exposições em Nova York, Londres e na Bienal de Arte de São Paulo, Jonathas foi o artista brasileiro convidado este ano para representar o Brasil na 59ª  Bienal de Arte de Veneza, uma das bienais de arte mais tradicionais e importantes do mundo que, após ser adiada desde 2020, tem previsão para ser realizada este ano entre 23 de abril e 27 de novembro de 2022.

Entre os trabalhos mais conhecidos do artista, que usa vídeos, fotografias e instalações, um dos mais conhecidos foi o “Museu do Homem do Nordeste”, em que recrutou via anúncios em jornais trabalhadores das ruas de Recife para ilustrar cartazes do Museu – com uma exposição paralela (e crítica) ao museu homônimo criado por Gilberto Freyre em 1979 – e do estereótipo da ideia de um “homem do Nordeste”.

De acordo com o italiano radicado no Brasil Jacopo Crivelli Visconti, curador do Pavilhão do Brasil na Bienal de Arte de Veneza deste ano, o alagoano foi escolhido pelo conjunto do seu trabalho, que busca a autenticidade popular brasileira para abordar temas como o universo do trabalhador e a identidade contemporânea do trabalhador.

“Jonathas busca em seus trabalhos a ideia de uma cultura autenticamente popular, em todas as possíveis acepções e na intrínseca complexidade dessa definição”, diz o curador. “O corpo, principalmente masculino, é o eixo norteador para abordar temas como o universo do trabalho e do trabalhador, e a identidade do sujeito contemporâneo, por meio de metáforas que oscilam entre a nostalgia, o erotismo e a crítica histórica e a política”. 

Outra obra do artista que chamou a atenção pela temática irônica e crítica às imagens que reforçam o racismo e adoçam os conflitos sociais do país foi “40 Nego Bom é Um Real”, em alusão ao doce popular de banana queimada do Nordeste vendido nos mercados do Recife. Por meio de serigrafias sobre madeira, gravações em acrílico e impressões (com colaboração de Silvan Kaelin), a obra “recria” a receita do doce passo-a-passo por meio de uma fábrica fictícia com 40 trabalhadores de uma linha de produção — colhendo as bananas no bananal, carregando trabalho para o porão, descascando, amassando, cozinhando as bananas com açúcar, encontrando o ponto exato, deixando esfriar, separando em pequenos quadradinhos e embalando em papel transparente.

Para a edição deste ano da Bienal de Veneza, Jonathas está trabalhando em uma instalação inédita. “O convite é uma surpresa e uma honra. Entretanto, a ideia de representar o Brasil hoje, seja onde for, é antes de tudo um desafio pela responsabilidade diante do quadro de complexidades cruciais que o país enfrenta”, disse o alagoano. “Que a arte consiga traduzir o embaraço que é viver nos nossos tempos e que inspire sonhos que permitam desatar esses nós”.

Saiba mais sobre a indicação do alagoano no site da Fundação Bienal de São Paulo aqui.

Acima, uma das gravuras da instalação "40 Nego Bom é um real": crítica e ironia social

 


Acima, exposição do Museu do Homem do Nordeste: destaque na Bienal de São Paulo e mostras internacionais

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