A Viçosa de Graciliano: poeta alagoano resgata vida (e influência) do escritor na cidade

Publicado em 24 de Outubro de 2021

Livro "Graciliano em Viçosa" e o poeta Sidney Wanderley: resgate dos passos do escritor na cidade alagoana  


Numa tarde de julho de 1973, um estudante de 14 anos do 1º Ano Científico do Colégio Marista, em Maceió, passava férias em Viçosa, sua cidade natal, quando se deparou na farmácia do padrinho com um homem alto de sotaque estrangeirado.

O homem de fala enrolada era o holandês August Willemsen (que faleceu em Amsterdã, em 2007), tradutor de Graciliano Ramos, que havia ido até Viçosa em busca da casa, escola e cenários descritos pelo escritor alagoano nos anos em que morou em Viçosa. 

Já o adolescente é hoje o poeta alagoano Sidney Wanderley que acaba de lançar “Graciliano em Viçosa”, em busca do itinerário do Velho Graça nos decisivos anos em que morou na cidade.  

É que apesar do nome de Graciliano ser ordinariamente associado apenas às cidades alagoanas de Quebrangulo (onde nasceu, em 1892) e Palmeira dos Índios (onde foi prefeito de 1928 a 1930, deixando um relatório de gestão que chamou atenção pela verve literária), foi em Viçosa que o menino Graciliano passou boa parte da infância e da juventude e se achegou à Literatura lendo romances emprestados da biblioteca do tabelião Jerônimo Barreto.

Mais do que apenas reconstituir os anos que Graciliano viveu em Viçosa, já descrita pelo próprio Graça em trechos do livro “Infância”, Sidney sai em busca dos cenários (com fotos de época) e dos viçosenses que inspiraram, por exemplo, personagens como Paulo Honório, de “São Bernardo”, romance ambientado em Viçosa que virou filme do cineasta Leon Hirszman – cujas filmagens na cidade, em 1971, são lembradas por Sidney que tinha 11 anos quando atores e equipe mudaram a rotina de Viçosa.  

“Graciliano em Viçosa é excelente e cumpre a tarefa de revelar aspectos desconhecidos e importantíssimos na vida e obra do velho Graça, mas quando Sidney Wanderley embaralha a sua condição de filho da terra com o sentido da linguagem graciliânica, o livro toca simplesmente o sublime”, escreve no prefácio o jornalista Xico Sá, que esteve há poucos dias em Maceió e não cansa de repetir como Graciliano se tornou referência desde os tempos de estudante, no Crato.

Além do prefácio de Xico Sá, Graciliano em Viçosa se encerra com um ensaio de Júlia Cunha (enteada de Sidney e mestranda em Letras) sobre “O declínio da narrativa e a perda de experiência em Infância”.

Como a primeira edição do livro está prestes a se esgotar (veja como pedir abaixo), uma segunda edição deve ser lançada até o final do ano pela Imprensa Oficial. 

 

Serviço

Livro: Graciliano em Viçosa, de Sidney Wanderley e Júlia Cunha/ 200 páginas;

Pedidos: no email [email protected]

Valor: R$ 30 (mais despesas postais de envio)

Fone para contato 82 999354966



 

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