Dois escritores alagoanos lideram lista da Folha de S. Paulo de “200 livros para entender o Brasil”

Publicado em 07 de Jun de 2022

Para comemorar os 200 anos da Independência do Brasil, o jornal Folha de São Paulo, a Associação Portugal Brasil 200 anos e o Projeto República (núcleo de pesquisa da UFMG) convidaram 169 intelectuais da língua portuguesa para formar uma lista de “200 livros importantes para entender o Brasil”.

Dois escritores alagoanos foram os campeões de indicações da lista.

O alagoano Graciliano Ramos aparece como um dos três autores da lista com maior número de livros indicados, quatro ao total: “Vidas Secas”, “Memórias do Cárcere”, “São Bernardo” e “Pequena História da República”.

Além do Velho Graça, apenas dois outros autores do país aparecem na lista com quatro obras: Jorge Amado ( com “Tenda dos Milagres”, “Capitães de Areia”, “Dona Flor e seus Dois Maridos” e “A Morte e a Morte de Quincas Berro d´Água”) e Lima Barreto (com “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, “Os Bruzundangas”, “Diário do Hospício & O Cemitério dos Vivos” e “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”). 

Já o jornalista alagoano Audálio Dantas (1929-2018), que saiu ainda menino de Tanque D´Arca para se tornar um dos maiores repórteres do Brasil se destacando em grandes veículos nacionais (como as revistas Cruzeiro e Realidade), teve o livro “Quarto de Despejo”, relançado recentemente pela Companhia das Letras, como a obra que recebeu maior número de indicações da lista: 29.

A obra é, na verdade, uma parte dos diários de Carolina Maria de Jesus, moradora da favela de Canindé, em São Paulo, que Audálio descobriu ao fazer uma reportagem para o jornal Folha da Noite em 1958.

Impressionado com a “lucidez crítica” dos diários de Carolina, o diário foi lançado pela editora Francisco Alves em 1960 com o título “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada", tornando-se um dos primeiros relatos autobiográficos no Brasil de uma escritora negra e favelada.

Um ano antes de falecer, Audálio Dantas foi homenageado na Festa Literária do Pontal (a Flipontal, organizado por Carlito Lima), onde deu um depoimento sobre o preconceito que o livro foi alvo por parte de críticos que não acreditavam que uma mulher negra e favelada podia ser autora de uma obra como aquela.

No ano em que o Brasil comemora 200 anos de Independência, Audálio não poderia ter dado melhor resposta ao ver que a obra que mediou foi escolhida como a mais relevante “para entender o Brasil” em 2022.

Assinantes da Folha podem ver lista completa aqui.


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